Ela não sabia amar, talvez. Então mais um amor havia ido embora, mais um amor havia chegado ao fim. Nessa imensa individualidade onde ninguém podia entristecê-la sempre cresciam espinhos. Espinhos para machucar aqueles que a machucavam, então assim não a tocavam. Não tocava porque o medo da mágoa não deixava que lhe tocassem, ou então havia medo porque não haviam tocado fundo o suficiente para que o medo não existisse. Que triste então, mas ela parecia acostumada. Acostumada e fria porque depois de tantas lágrimas, ela finalmente parecia ter secado. Seus olhos eram de desilusão, de cansaço. Cansada de construir sonhos, planos, fantasias. E depois da desilusão ter de destruir uma a uma, como se nada daquilo tivesse um dia existido, só para olhar para trás e não sentir nada do que sentira antes. Ela não diria; se pudesse escolher, teria ficado calada, mas lhe escapou: "Meu coração tá ferido de amar errado. De amar de mais, de querer de mais, de viver de mais. Amar, querer e viver tanto que tudo o mais em volta parece pouco.. Vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar de mais, de querer de mais, de esperar de mais. Dessa minha mania tão boba de amar errado."
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